domingo, 22 de novembro de 2009
Cordas e Sopro
minha música é uma gaveta funda
guarda o mundo todo num acorde.
minha música é simples e surda
causa-me espanto, derrama-se muda.
minha música é uma dialogo eterno
entre minha carne e a tua carne.
minha música sossega meus olhos
entrega-se à vida como uma grávida.
minha música um dia há de silenciar
queria toca-la todos os dias para você.
minha música é o que sobrou de ti
e nunca há de ser nada além de ti.
minha música é pouco mais que um choro
e sempre há de ser mais que uma lágrima.
minha música existe e nada mais importa.
minha música diz a mim "você está vivo".
é pouca, é quase nada, dela não espere nada,
espere tudo, espero sempre. Estou partindo.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Um outro dia

E o pierrôt saiu pelas ruas de pedra perguntando às suas lágrimas por que o tempo havia sempre de passar tão rápido... Por que dói tanto perder a graça? Sem a maquiagem o pierrot não tinha beleza. Num gole gelado ele finalizou a garrafa de vinho tinto, tanto que sua pança ja havia estrapolado. Assobiou uma canção francesa da época de sua tatararavó, que implantava em sua alma um fogo branco, queimando tudo o que conhecera até ali.
Dói te esqueçer, pensou ele. Ainda podia sentir o perfume do corpo de sua colombina inocente. Porque será que te quero a cada palavra que digo? Ele pensou que soubesse, mas não, não sabia. Dói, de repente, não mais que de repente, viver. Ele sentou num banco de uma praça. Sono, saudade. Sou tão pouco que me perco de mim...
O palhaço quis deitar-se no banco, com o rosto pregado no assento de pano. Só queria poder chorar em paz. Folhas de oliveira se derramaram com o vento. Ele podia ver no céu um cometa partindo, mais uma vez, e rumo ao vazio, ao além.
Nem o vinho, nem as estrelas, nada podia consolar o meigo rapaz borrado no rosto. Olhos nos olhos. A madeira do tronco da oliveira era sua coluna despedaçada, e fazia muito frio. O choro de seu filho, lembrou-se em silêncio, será que nunca mais poderei ouvi-lo? Ele sentiu um medo que apagou as listras de sua camisa suja de terra e secou o creme de seus cabelos. Perto das flores daquele canteiro que ele retirou as luvas.
Foi-se embora a alegria, novamente, ele afundou o rosto nas mãos aquecidas. Na frente do espelho ele havia se pintado com a tristeza. Mas logo uma brisa leve tocou sua face trágica e sutilmente engraçada. Ele não resistiu e dormiu como um feto que ainda não se desligara, esperando o nascer do dia, um outro dia somente.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
samba em prelúdio
"Eu sem você não tenho porque
porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
jardim sem luar
luar sem amor
amor sem se dar
E eu sem você
sou só desamor
um barco sem mar
um campo sem flor
Tristeza que vai
tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou
ninguém"...
V. de Moraes
porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
jardim sem luar
luar sem amor
amor sem se dar
E eu sem você
sou só desamor
um barco sem mar
um campo sem flor
Tristeza que vai
tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou
ninguém"...
V. de Moraes
samba triste
Samba triste a gente faz assim
Eu aqui você longe de mim, de mim...
Agora eu sei que toda vez que o amor existe
Há sempre um sambe triste, meu bem...
Samba que vem de você, amor...
Eu aqui você longe de mim, de mim...
Agora eu sei que toda vez que o amor existe
Há sempre um sambe triste, meu bem...
Samba que vem de você, amor...
Palhaço
"Sei que é doloroso um palhaço
Se afastar do palco por alguém
Volta que a platéia te reclama
Sei que choras palhaço
Por alguém que não te ama.
Enxuga os olhos e me dá um abraço
Não te esqueças que és um palhaço
Faz a platéia gargalhar
Um palhaço não deve chorar".
Baden
Se afastar do palco por alguém
Volta que a platéia te reclama
Sei que choras palhaço
Por alguém que não te ama.
Enxuga os olhos e me dá um abraço
Não te esqueças que és um palhaço
Faz a platéia gargalhar
Um palhaço não deve chorar".
Baden
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Só
Estou completamente só.
Nunca nasci e morri tanto como agora.
Fui abortado do todo sem escolha.
Não há outro em mim,
Pois vivo demasiado entristecido por mim.
Se compartilho-me, partilho-me.
Se parto em tua direção, corres, foges...
E eu renasço, como um parto, acordo.
Não divido minha paixão com nenhuma violeta.
Todas foram pisoteadas
Por uma nave que não posso mais controlar...
Estou tão perdido que mal posso sonhar...
Tão infinito que mal posso me ver.
E você é tão veloz, tão algoz, que desaparece cedo.
Só queria o conforto de chorar por teu pranto.
Me dói na carne ser tão só... tão só...
Onde está meu reflexo, onde estão meus filhos...
Onde está a tranquilidade do caos de tua pele?
Estarei respirando quando notares que somos um?
Meu coração foi arrancado por meus dedos,
Para ser entregue a você como a prova do tempo.
Estou tão só, que nem sei mais como é estar só.
Nunca nasci e morri tanto como agora.
Fui abortado do todo sem escolha.
Não há outro em mim,
Pois vivo demasiado entristecido por mim.
Se compartilho-me, partilho-me.
Se parto em tua direção, corres, foges...
E eu renasço, como um parto, acordo.
Não divido minha paixão com nenhuma violeta.
Todas foram pisoteadas
Por uma nave que não posso mais controlar...
Estou tão perdido que mal posso sonhar...
Tão infinito que mal posso me ver.
E você é tão veloz, tão algoz, que desaparece cedo.
Só queria o conforto de chorar por teu pranto.
Me dói na carne ser tão só... tão só...
Onde está meu reflexo, onde estão meus filhos...
Onde está a tranquilidade do caos de tua pele?
Estarei respirando quando notares que somos um?
Meu coração foi arrancado por meus dedos,
Para ser entregue a você como a prova do tempo.
Estou tão só, que nem sei mais como é estar só.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
flores mortas
Tenho flores mortas
Na janela do quarto.
Ao som de saxofone
Eu aparento morrer.
Ainda sinto o cheiro
Do perfume de cravo.
Quando durmo vasto
Teus olhos posso ver.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
uma respiração
Budismo: Tudo é impermanente.
Milan Kundera: A Insustentável Leveza do Ser.
M. Merleau Ponty: Eu não tem exterior, assim como o outro não tem interior.
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Amor... A confirmação da experiência interior do outro, no seu próprio interior. O coosentimento.
João: Deixa ela, que ela existe.
O amor como relação afetiva. O amor como busca espiritual.
Espiritual: A melhor forma de compartilhar o interior.
Isso varia de lugar para lugar, de tempos para tempos.
Ao nascer nos desligamos, nos tornamos indivíduo. Somos ilha.
Há a pura necessidade de ligação. Alguém que divida o interior. Isso se chama AVENTURA.
Gozar, gozar, gozar, gozar e gozar.
Amor é geral, Amor: Amar alguém, amar alguém(s).
E é tudo muito bom.
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Aquele que só tem certezas não seria o tolo? Como se furtar ao mundo? Como se furtar ao mercado de consumo? É impossível. É herrado.
--
(Todo mundo se sente perdido, e precisa conversar).
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Canto ao Medo
Me canso de ter medo,
Puro medo de ser mudo.
Eu sou pequeno.
Sou o medo do mundo.
Talvez eu não seja
Algo que você(eu) veja.
Eu quase não tenho sentidos,
Sofro, sofro, quieto, quieto.
Eu sou uma mentira.
Eu não sei o que mentir.
Sou uma decepção que devasta.
Um grande nada que se basta.
Sou o começo do fim, como as flores.
Mas eu desconheço a mim.
Eu tenho apenas essa forma
Ela é tudo que eu tenho.
Eu não me chamo mais João.
Não posso mais ser ele. Ele são.
Me proteja. Transforme minhas mãos.
Sou apenas uma mulher presa.
Minha força bruta é forte.
Lança-me no abismo. A mulher e a morte.
Eu sou medo e minha pureza me apavora
Não tenho pressa, não tenho. Perdi a hora.
Meu destino é permanecer.
Minha luz, só, esquece de ser.
Não há ninguém, ninguém que mereça
Tanta solidão. Nem uma nesga do mundo.
Sou o fraco, o que você queria?
A minha força vem por que sou calmo.
No quadro, uma tolice de apaixonado.
Um ser que ama sofrer, ser enganado.
Ao mesmo passo que se sente cansado,
Meu coração sabe que vai morrer.
E quando ele morrer, irei junto e feliz.
Diga que quase amei, foi por um triz!
Estou mais vivo do que nunca.
Disso as paredes já suspeitam.
Não leia mais sobre tudo,
Não leia tanto, meu coração se apagou.
Meu coração se apagou.
Meu coração se apagou.
Meu coração é uma vida separada.
Sem teu corpo, para sempre há de ser nada.
Esse coração é um banco de praça...
Pintado com as cores da desgraça.
Meu coração é tolo e antigo.
Para ser lido, precisa ser esquecido.
Ele sabe que há de se esquecer
Por ter sabido tanto sofrer.
Logo essas palavras nascem...
Logo essas palavras morrem...
Meu medo, meu peito, nasceram sem morrer.
Minha melhor amiga é a dor, sem saber.
Espalho por minha pele meu espírito.
Poderá sentir o aroma doce, dito?
Vou dormir. Vou dormir para sempre.
Não sei mais acordar para sempre.
Estou pronto. Tenho sono.
Estou pronto. Tenho fome.
Tenho o que tenho,
Cresço para dentro.
Não tenho caminho...
Perco-me só e com frio.
Ando descalço, bebo vinho.
Bebo seu passo, ando sozinho.
Puro medo de ser mudo.
Eu sou pequeno.
Sou o medo do mundo.
Talvez eu não seja
Algo que você(eu) veja.
Eu quase não tenho sentidos,
Sofro, sofro, quieto, quieto.
Eu sou uma mentira.
Eu não sei o que mentir.
Sou uma decepção que devasta.
Um grande nada que se basta.
Sou o começo do fim, como as flores.
Mas eu desconheço a mim.
Eu tenho apenas essa forma
Ela é tudo que eu tenho.
Eu não me chamo mais João.
Não posso mais ser ele. Ele são.
Me proteja. Transforme minhas mãos.
Sou apenas uma mulher presa.
Minha força bruta é forte.
Lança-me no abismo. A mulher e a morte.
Eu sou medo e minha pureza me apavora
Não tenho pressa, não tenho. Perdi a hora.
Meu destino é permanecer.
Minha luz, só, esquece de ser.
Não há ninguém, ninguém que mereça
Tanta solidão. Nem uma nesga do mundo.
Sou o fraco, o que você queria?
A minha força vem por que sou calmo.
No quadro, uma tolice de apaixonado.
Um ser que ama sofrer, ser enganado.
Ao mesmo passo que se sente cansado,
Meu coração sabe que vai morrer.
E quando ele morrer, irei junto e feliz.
Diga que quase amei, foi por um triz!
Estou mais vivo do que nunca.
Disso as paredes já suspeitam.
Não leia mais sobre tudo,
Não leia tanto, meu coração se apagou.
Meu coração se apagou.
Meu coração se apagou.
Meu coração é uma vida separada.
Sem teu corpo, para sempre há de ser nada.
Esse coração é um banco de praça...
Pintado com as cores da desgraça.
Meu coração é tolo e antigo.
Para ser lido, precisa ser esquecido.
Ele sabe que há de se esquecer
Por ter sabido tanto sofrer.
Logo essas palavras nascem...
Logo essas palavras morrem...
Meu medo, meu peito, nasceram sem morrer.
Minha melhor amiga é a dor, sem saber.
Espalho por minha pele meu espírito.
Poderá sentir o aroma doce, dito?
Vou dormir. Vou dormir para sempre.
Não sei mais acordar para sempre.
Estou pronto. Tenho sono.
Estou pronto. Tenho fome.
Tenho o que tenho,
Cresço para dentro.
Não tenho caminho...
Perco-me só e com frio.
Ando descalço, bebo vinho.
Bebo seu passo, ando sozinho.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Ser um corpo único.
Por que será que a ideia de sermos um corpo só nos amedronta?
Nesta linha de mistério que isola nosso corpo, e que sempre nos surpreende, encontrar na figura exterior reflexos da figura interior é existir?
Mas o corpo, o corpo, é menor que o pensamento.
Então por quê querer ter mais liberdade do que se tem?
Eu me canso pois não consigo parar de ser.
Minha condição é tão pequena, enquanto a condição sua é tão maior que a minha, por ser parte de um Universo externo, onde a condição é tão grande que nem se chama condição.
Será que é possível achar uma cura para a condição?
Ou melhor, é possível encontrar a cura para o medo da condição?
Afinal, de que vale ser assim tão sensato?
Por que será que a ideia de sermos um corpo só nos amedronta?
Nesta linha de mistério que isola nosso corpo, e que sempre nos surpreende, encontrar na figura exterior reflexos da figura interior é existir?
Mas o corpo, o corpo, é menor que o pensamento.
Então por quê querer ter mais liberdade do que se tem?
Eu me canso pois não consigo parar de ser.
Minha condição é tão pequena, enquanto a condição sua é tão maior que a minha, por ser parte de um Universo externo, onde a condição é tão grande que nem se chama condição.
Será que é possível achar uma cura para a condição?
Ou melhor, é possível encontrar a cura para o medo da condição?
Afinal, de que vale ser assim tão sensato?
domingo, 8 de novembro de 2009
O que eu sei?
Eu continuo a te dizer sobre tudo
Dos absurdos e das coisas da vida
Já deixei cartas no seu criado mudo
E só me resta encontrar a saída
Por um breve segundo
Todo o medo do mundo
Se tornou um alegre jardim
E você me cantava assim
Assim, devagarinho um DÓ
Que me deixou melhor
Acho que foi sua mão
Que fez essa canção
Se a rua vai, voltarei
Sem você eu não partirei...
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
Com sete cores pintarei o meu muro
Um tanto certo é pensar na subida
Num passo tento te envolver nessa dança
E te dar flores, minha meiga querida.
Se o escuro do espaço
Vir aos olhos, num lapso
Estaremos num fragíl capim
Andaremos descalços, enfim.
Acho que é melhor
Não viajar tão só
Pegar estrada e não andar na contramão.
Se a rua vai, voltarei
Sem você não partirei
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
Dos absurdos e das coisas da vida
Já deixei cartas no seu criado mudo
E só me resta encontrar a saída
Por um breve segundo
Todo o medo do mundo
Se tornou um alegre jardim
E você me cantava assim
Assim, devagarinho um DÓ
Que me deixou melhor
Acho que foi sua mão
Que fez essa canção
Se a rua vai, voltarei
Sem você eu não partirei...
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
Com sete cores pintarei o meu muro
Um tanto certo é pensar na subida
Num passo tento te envolver nessa dança
E te dar flores, minha meiga querida.
Se o escuro do espaço
Vir aos olhos, num lapso
Estaremos num fragíl capim
Andaremos descalços, enfim.
Acho que é melhor
Não viajar tão só
Pegar estrada e não andar na contramão.
Se a rua vai, voltarei
Sem você não partirei
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
O que eu sei?
Eu continuo a te dizer sobre tudo
Dos absurdos e das coisas da vida
Já deixei cartas no seu criado mudo
E só me resta encontrar a saída
Por um breve segundo
Todo o medo do mundo
Se tornou um alegre jardim
E você me cantava assim
Assim, devagarinho um DÓ
Que me deixou melhor
Acho que foi sua mão
Que fez essa canção
Se a rua vai, voltarei
Sem você eu nunca partirei...
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
Com sete cores pintarei o meu muro
Um tanto certo é pensar na subida
Num passo tento te envolver nessa dança
E te dar flores, minha meiga querida.
Se o escuro do espaço
Vir aos olhos, num lapso
Estaremos num fragíl capim
Andaremos descalços, enfim
An han acho que é melhor
Não viajar tão só
Pegar estrada e não andar na contramao.
Se a rua vai, voltarei
Sem você nunca partirei
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
Dos absurdos e das coisas da vida
Já deixei cartas no seu criado mudo
E só me resta encontrar a saída
Por um breve segundo
Todo o medo do mundo
Se tornou um alegre jardim
E você me cantava assim
Assim, devagarinho um DÓ
Que me deixou melhor
Acho que foi sua mão
Que fez essa canção
Se a rua vai, voltarei
Sem você eu nunca partirei...
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
Com sete cores pintarei o meu muro
Um tanto certo é pensar na subida
Num passo tento te envolver nessa dança
E te dar flores, minha meiga querida.
Se o escuro do espaço
Vir aos olhos, num lapso
Estaremos num fragíl capim
Andaremos descalços, enfim
An han acho que é melhor
Não viajar tão só
Pegar estrada e não andar na contramao.
Se a rua vai, voltarei
Sem você nunca partirei
a vida inteira eu quis ser rei,
mas o que eu sei?
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Simples
Tento encontrar uma página branca
Mas as lágrimas dos galhos da manhã
Borram a tinta de meu caderno
E apagam meu cigarro, lentamente.
Minha vontade é nula,
Eu apenas tenho que contemplar
As palavra indo embora
E deixando marcas de agonia
Em enormes manchas de meu corpo.
Nesta manhã, eu não sou mais palavras.
Apenas esta página branca...
Sem mais de mim,
Os versos também são brancos.
De que adianta especular
E fazer laços com pensamentos?
Neste chão de seixos em silêncio,
O que sacode o mundo
E perfura o crânio dos pássaros,
É a pura simplicidade do meu canto.
Quanto mais simples,
Maçãs simples, melhor.
Posso então sentir,
Pelo silêncio, as palavras.
Mas as lágrimas dos galhos da manhã
Borram a tinta de meu caderno
E apagam meu cigarro, lentamente.
Minha vontade é nula,
Eu apenas tenho que contemplar
As palavra indo embora
E deixando marcas de agonia
Em enormes manchas de meu corpo.
Nesta manhã, eu não sou mais palavras.
Apenas esta página branca...
Sem mais de mim,
Os versos também são brancos.
De que adianta especular
E fazer laços com pensamentos?
Neste chão de seixos em silêncio,
O que sacode o mundo
E perfura o crânio dos pássaros,
É a pura simplicidade do meu canto.
Quanto mais simples,
Maçãs simples, melhor.
Posso então sentir,
Pelo silêncio, as palavras.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Distraída
Quando a primeira gota escorreu
Ninguém dançava mais do que eu
Mas a chuva é só uma dança
Esquecida.
Do ouro, de volta, se enriqueceu,
E as folhas verdes ele percebeu
Escondendo-se da lua
Na sua vida.
Em breve a memória será Deus
E os amores que ela perdeu
Serão a chave de uma porta
Proibida.
Foi quando o mundo adormeceu
E a terra toda estremeceu
Com a mágica de Amanda,
Distraída.
Ninguém dançava mais do que eu
Mas a chuva é só uma dança
Esquecida.
Do ouro, de volta, se enriqueceu,
E as folhas verdes ele percebeu
Escondendo-se da lua
Na sua vida.
Em breve a memória será Deus
E os amores que ela perdeu
Serão a chave de uma porta
Proibida.
Foi quando o mundo adormeceu
E a terra toda estremeceu
Com a mágica de Amanda,
Distraída.
sábado, 31 de outubro de 2009
Romeu Ébrio
Vá embora, pois sofro por ter te conhecido...
Você acabou de perder os meus, antes de tudo...
Tanto pior ou melhor, que vá procurar outros...
Eu sou assim... e você, mente cega,
Vá procurar alguma pedra para seu desamor.
Eu sou feito de carne e osso, sou moço.
E eu mal posso quebrar o gelo daqui.
Se por um segundo regurgitar fogo,
Não te engano. Por que não vens?
Estou mais só que minha própria solidão...
Chove na cidade.
Orgasmo, convulsão.
Você acabou de perder os meus, antes de tudo...
Tanto pior ou melhor, que vá procurar outros...
Eu sou assim... e você, mente cega,
Vá procurar alguma pedra para seu desamor.
Eu sou feito de carne e osso, sou moço.
E eu mal posso quebrar o gelo daqui.
Se por um segundo regurgitar fogo,
Não te engano. Por que não vens?
Estou mais só que minha própria solidão...
Chove na cidade.
Orgasmo, convulsão.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Não sei mais...
Não quero saber.
Sinto-me cansado...
Profundamente cansado.
Dessa merda toda escrita...
Paredes de cores tão irreais.
Feitas de silêncio... e tempo.
Nada disso me diz mais nada.
Hoje é uma manhã azul, nua.
E eu permaneço frio, nú.
Talvez eu desça os andares vazios...
Toque gaita sob as árvores...
Ou consuma mais fumaça.
Amordaçar a ansiedade...
Talvez eu possa rir
De tudo que me dizem...
Concordar com qualquer tolice...
Talvez eu deva trabalhar com afinco,
Executar canções de amor à qualquer uma.
Não importa. Não sei mais...
Quero dormir no escuro.
Está me consumindo, as palavras...
A poeta.
Não quero saber.
Sinto-me cansado...
Profundamente cansado.
Dessa merda toda escrita...
Paredes de cores tão irreais.
Feitas de silêncio... e tempo.
Nada disso me diz mais nada.
Hoje é uma manhã azul, nua.
E eu permaneço frio, nú.
Talvez eu desça os andares vazios...
Toque gaita sob as árvores...
Ou consuma mais fumaça.
Amordaçar a ansiedade...
Talvez eu possa rir
De tudo que me dizem...
Concordar com qualquer tolice...
Talvez eu deva trabalhar com afinco,
Executar canções de amor à qualquer uma.
Não importa. Não sei mais...
Quero dormir no escuro.
Está me consumindo, as palavras...
A poeta.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
limpeza
Raios! Garras! Fui tomado pela discórdia!
Um bêbado que morreu por ali! Não!
Não é possível, não é claro o suficiente!
Tomara que a mão não fique dormente!
Torpor! Embriagado! Louco!
Tortura ensandecida em minhas vísceras!
Meu caro amigo, astronauta pálido, aracnídeo,
Pergunte mais uma vez ao desamor!
Perdão! Apego à tua morte! Se corte!
Cara pálida, no pó! Seja a verdade,
Você deseja que ela veja
O pior, antes do fim,
O menor, de princípio, enfim!
Arbustos da minha tripa negra! Decrépito, sigo calvo e nú.
Malditos! De Hollywood! Song of freedom! CÚ!
Vai pra merda, deputado! Trepa com a pata do eleitorado!
É um coelhinho que se manda! Ja dormiu mal assombrado?
Vai correndo para a escola, vai cagar no cagador!
Ruminantes! Sacripantas! Esterco das Malvinas!
Espaços floridos da Espanha, Espanha n'Alemanha!
Viva Gana! Gananciosos, profetas, camaradas!
Parceiros de ereção da cizânia!
Bostas de verme! Botas de pixe!
Demônios sem garoa!
Anfíbios abandonados!
Gemas de ovo estragadas, adiciona-se cinco olhos de peixe!
Morra amante da estrada!
Colírio pro meu sol que andava tão seixo!
Uma pedra, uma arma, uma pisada no quadril!
Garfos insaciáveis de encanto, um mármore rosa e frágil!
Um sapato apátrida e apático, paspalho!
Solto a vesícula principal, solte o pum, a após!
A proporção de Deus, no fogo do inferno escroto!
Vil e insensível! Tolo, fétido e filho da puta!
Desejo sua morte, desejo o seu mal, sua sorte avessa!
Role, carne imunda de sangue podre! Caia do penhasco!
Morra comigo num espinho de luz e ódio!
Folclóricos amigos, amargos, bandidos!
Morri, agora. Morra também comigo!
Asco anônimo, fraco antônimo, nenhum...
Nenhum sóbrio ânimo.
Um bêbado que morreu por ali! Não!
Não é possível, não é claro o suficiente!
Tomara que a mão não fique dormente!
Torpor! Embriagado! Louco!
Tortura ensandecida em minhas vísceras!
Meu caro amigo, astronauta pálido, aracnídeo,
Pergunte mais uma vez ao desamor!
Perdão! Apego à tua morte! Se corte!
Cara pálida, no pó! Seja a verdade,
Você deseja que ela veja
O pior, antes do fim,
O menor, de princípio, enfim!
Arbustos da minha tripa negra! Decrépito, sigo calvo e nú.
Malditos! De Hollywood! Song of freedom! CÚ!
Vai pra merda, deputado! Trepa com a pata do eleitorado!
É um coelhinho que se manda! Ja dormiu mal assombrado?
Vai correndo para a escola, vai cagar no cagador!
Ruminantes! Sacripantas! Esterco das Malvinas!
Espaços floridos da Espanha, Espanha n'Alemanha!
Viva Gana! Gananciosos, profetas, camaradas!
Parceiros de ereção da cizânia!
Bostas de verme! Botas de pixe!
Demônios sem garoa!
Anfíbios abandonados!
Gemas de ovo estragadas, adiciona-se cinco olhos de peixe!
Morra amante da estrada!
Colírio pro meu sol que andava tão seixo!
Uma pedra, uma arma, uma pisada no quadril!
Garfos insaciáveis de encanto, um mármore rosa e frágil!
Um sapato apátrida e apático, paspalho!
Solto a vesícula principal, solte o pum, a após!
A proporção de Deus, no fogo do inferno escroto!
Vil e insensível! Tolo, fétido e filho da puta!
Desejo sua morte, desejo o seu mal, sua sorte avessa!
Role, carne imunda de sangue podre! Caia do penhasco!
Morra comigo num espinho de luz e ódio!
Folclóricos amigos, amargos, bandidos!
Morri, agora. Morra também comigo!
Asco anônimo, fraco antônimo, nenhum...
Nenhum sóbrio ânimo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O Pé e a Cabeça
Que um piano forte possa ouvir-me todo
Quando jovem eu possuir milhares de anos.
É nessa música que vive a calma aquecida
Por um tanto de martelos e pregos errantes.
Por uma boca linda e perdida,
Pairando o sol no céu de trigo,
Tornando a bondade núpcias.
Sem coragem resta o peito nú.
Humilde verme crú, cor de turquesa...
Evacuando minh'alma cheia de honestidade,
Que corre inteira nesse campo só,
Desafia o eco amargo, átomo artístico,
Amplo de riso, alto de ouvido,
Agonia pobre de tão rica presença...
Podre. Uma rasteira no ser encantado.
Chore por mim, por vidas secas,
Nunca! Negra marca.
Arca jamais navegável,
Jangada que parte do mar!
"O-O-O-O-O MAR!
QUANDO QUEBRA NA PRAIA
É BONITO-O
É BONITO-O-O-O!"
Quando jovem eu possuir milhares de anos.
É nessa música que vive a calma aquecida
Por um tanto de martelos e pregos errantes.
Por uma boca linda e perdida,
Pairando o sol no céu de trigo,
Tornando a bondade núpcias.
Sem coragem resta o peito nú.
Humilde verme crú, cor de turquesa...
Evacuando minh'alma cheia de honestidade,
Que corre inteira nesse campo só,
Desafia o eco amargo, átomo artístico,
Amplo de riso, alto de ouvido,
Agonia pobre de tão rica presença...
Podre. Uma rasteira no ser encantado.
Chore por mim, por vidas secas,
Nunca! Negra marca.
Arca jamais navegável,
Jangada que parte do mar!
"O-O-O-O-O MAR!
QUANDO QUEBRA NA PRAIA
É BONITO-O
É BONITO-O-O-O!"
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Onde você mora?
Eu preciso saber onde você mora,
Quero tua sala de estar e tua cama,
"Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar"...
Não quero as mediações eletrônicas de cobre e aço,
Pois isso me impede de ouvir música na tua voz...
Quero beijar-te até que a tua boca
Troque de lugar com a minha, sem pedir licença.
Quero chorar a chuva na sua frente, como um bebê faminto.
Cansei de ser infinito...
Apenas quero parar...
Estacionar.
Em cima de você, da sua acidez, das suas promessas.
Quero morrer na tua vida...
Quero vida para morrer...
Quero beijos...
E teu endereço grafado num poema bêbado, cheio de sexo e aromas.
Sentir teus seios em meu peito
Quando te apertar de saudade, uma saudade de homem.
E mesmo com meu hálito amargo de solidão,
Que eu possa te dizer nos olhos que amo teu umbigo,
Pois o meu está demasiado só, perdido no meio de mim.
Vem pra mim...
Traga o vinho...
Traga os versos...
Traga amigos, bons e delicados... não gosto dos rudes.
Fique em silêncio ao meu lado por 500 horas...
Diga a todo mundo que tua mão apertou meu pescoço,
E tuas pernas conferiram as minhas num abraço perfeito...
Pois te amo...
Quero tua sala de estar e tua cama,
"Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar"...
Não quero as mediações eletrônicas de cobre e aço,
Pois isso me impede de ouvir música na tua voz...
Quero beijar-te até que a tua boca
Troque de lugar com a minha, sem pedir licença.
Quero chorar a chuva na sua frente, como um bebê faminto.
Cansei de ser infinito...
Apenas quero parar...
Estacionar.
Em cima de você, da sua acidez, das suas promessas.
Quero morrer na tua vida...
Quero vida para morrer...
Quero beijos...
E teu endereço grafado num poema bêbado, cheio de sexo e aromas.
Sentir teus seios em meu peito
Quando te apertar de saudade, uma saudade de homem.
E mesmo com meu hálito amargo de solidão,
Que eu possa te dizer nos olhos que amo teu umbigo,
Pois o meu está demasiado só, perdido no meio de mim.
Vem pra mim...
Traga o vinho...
Traga os versos...
Traga amigos, bons e delicados... não gosto dos rudes.
Fique em silêncio ao meu lado por 500 horas...
Diga a todo mundo que tua mão apertou meu pescoço,
E tuas pernas conferiram as minhas num abraço perfeito...
Pois te amo...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Poetinha Camarada
"Tristeza não tem fim,
Felicidade sim."
É, Vinicius de Moraes...
O senhor sabia bem disso...
Mas o que eu sei (e você também)?
"E se não tivesse o amor?
E se não tivesse essa dor,
E se não tivesse o sofrer,
E se não tivesse o chorar,
Melhor era tudo se acabar..."
Gracias, Señor. Renasça em mim mais uma vez...
"Coitado do homem que cai
No canto de ossanha, traidor.
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai sofrer
Vai, vai, vai, vai chorar
Vai, vai, vai, vai viver
Vai, vai, vai, vai amar..."
É, meu Poeta...
Com a sorte e a força, em mil anos luz,
Quem teria coragem, meu senhor?
Quem terá?
"Vai, vai
Vai, vai...
Amar!
viver!"
Felicidade sim."
É, Vinicius de Moraes...
O senhor sabia bem disso...
Mas o que eu sei (e você também)?
"E se não tivesse o amor?
E se não tivesse essa dor,
E se não tivesse o sofrer,
E se não tivesse o chorar,
Melhor era tudo se acabar..."
Gracias, Señor. Renasça em mim mais uma vez...
"Coitado do homem que cai
No canto de ossanha, traidor.
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai sofrer
Vai, vai, vai, vai chorar
Vai, vai, vai, vai viver
Vai, vai, vai, vai amar..."
É, meu Poeta...
Com a sorte e a força, em mil anos luz,
Quem teria coragem, meu senhor?
Quem terá?
"Vai, vai
Vai, vai...
Amar!
viver!"
Mais um poema se derramou cedo...
Derramou. A gota. O lago.
Antes da noite ser toda.
E a gente se deixa derramar junto,
Como um parto, como o mar.
Escorre pelo mundo como gelo partido.
E não se acalma com o gesto, é bonito.
Não fossem negros os cabelos
Talvez não houvesse tanta pressa.
Nesse jogo, a alma confessa
Pois não há mais tanto tempo assim.
Quando a carne é prata precisa brilhar.
Dê-me apenas a luz, em silêncio ou em canto.
Basta que minha mão sorria, de encanto.
Acorde quente numa cama macia. Só assim aprende.
Pede perdão...
As vezes tanta adoração, pequena,
Tem um meigo sabor de solidão...
Esse cheiro de mármore me envolve rosa.
Me pede o arrependimento que ainda não nasceu.
Desce meus orgãos com tempero de estrela.
L'infini roulé blanc de ta nuque à tes reins.
Não me espero assim tão cedo, te quero cedo.
Just take me... like a hand, like a heart...
To somewhere i have never travelled, gladly beyond.
Percebo, sonolento, despetalado,
Que meu querer é somente maior
Que o pedaço de você em mim.
Amo e vivo tanto, e pouco, e muito é o pranto.
O quanto de mim existe...
Nessa maçã de rosto lindo, e triste?
Antes da noite ser toda.
E a gente se deixa derramar junto,
Como um parto, como o mar.
Escorre pelo mundo como gelo partido.
E não se acalma com o gesto, é bonito.
Não fossem negros os cabelos
Talvez não houvesse tanta pressa.
Nesse jogo, a alma confessa
Pois não há mais tanto tempo assim.
Quando a carne é prata precisa brilhar.
Dê-me apenas a luz, em silêncio ou em canto.
Basta que minha mão sorria, de encanto.
Acorde quente numa cama macia. Só assim aprende.
Pede perdão...
As vezes tanta adoração, pequena,
Tem um meigo sabor de solidão...
Esse cheiro de mármore me envolve rosa.
Me pede o arrependimento que ainda não nasceu.
Desce meus orgãos com tempero de estrela.
L'infini roulé blanc de ta nuque à tes reins.
Não me espero assim tão cedo, te quero cedo.
Just take me... like a hand, like a heart...
To somewhere i have never travelled, gladly beyond.
Percebo, sonolento, despetalado,
Que meu querer é somente maior
Que o pedaço de você em mim.
Amo e vivo tanto, e pouco, e muito é o pranto.
O quanto de mim existe...
Nessa maçã de rosto lindo, e triste?
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Dylanesca II
Sua vez de ouvir mais uma vez,
Os sonhos de meus versos tristonhos.
Andei no mundo perdido demais...
Com minha viola atrás...
Olhando a chuva inaugurando o amanhecer.
Prefiro esquecer.
Melhor ser vela na escuridão
Pra você ver
Meu olhar sangrando gemas...
E a escuridão não ser apenas,
Como um raio você vem
E na roupa veste o sol...
Que embeleza o meu lençol.
Sobrevoar os lábios da visão,
Soprando pérolas de vento ao meu refrão
E o eterno sempre amor
Continua em minha vida...
Sinto a flor mais esquecida...
Você devia me escutar melhor.
Mesmo sozinho eu não me sinto só
Não se renda ao medo teu,
Ainda resta a esperança...
Quando se dança essa dança,
Que se trança ao seu melhor...
Os sonhos de meus versos tristonhos.
Andei no mundo perdido demais...
Com minha viola atrás...
Olhando a chuva inaugurando o amanhecer.
Prefiro esquecer.
Melhor ser vela na escuridão
Pra você ver
Meu olhar sangrando gemas...
E a escuridão não ser apenas,
Como um raio você vem
E na roupa veste o sol...
Que embeleza o meu lençol.
Sobrevoar os lábios da visão,
Soprando pérolas de vento ao meu refrão
E o eterno sempre amor
Continua em minha vida...
Sinto a flor mais esquecida...
Você devia me escutar melhor.
Mesmo sozinho eu não me sinto só
Não se renda ao medo teu,
Ainda resta a esperança...
Quando se dança essa dança,
Que se trança ao seu melhor...
The Book of Love
"The book of love is long and boring
No one can lift the damn thing
It's full of charts and facts and figures
And instructions for dancing
But i
I love it when you read to me
And you
You can read me anything
The book of love has music in it
In fact that's where music comes from
Some of it is just transcendental
Some of it is just really dumb
But i
I love it when you sing to me
And you
You can sing me anything
The book of love is long and boring
And written very long ago
It's full of flowers and heart-shaped boxes
And things we're all too young to know
But i
I love it when you give me things
And you
You ought to give me wedding rings
And i
I love it when you give me things
And you
You ought to give me wedding rings
You ought to give me wedding rings".
Peter Gabriel
No one can lift the damn thing
It's full of charts and facts and figures
And instructions for dancing
But i
I love it when you read to me
And you
You can read me anything
The book of love has music in it
In fact that's where music comes from
Some of it is just transcendental
Some of it is just really dumb
But i
I love it when you sing to me
And you
You can sing me anything
The book of love is long and boring
And written very long ago
It's full of flowers and heart-shaped boxes
And things we're all too young to know
But i
I love it when you give me things
And you
You ought to give me wedding rings
And i
I love it when you give me things
And you
You ought to give me wedding rings
You ought to give me wedding rings".
Peter Gabriel
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Anjo da Música
Fantástico! A tristeza é sensível!
Um gole d'água fresca!
Um sumo de fruta gorda!
Após derreter as flores do vale
Com minhas lágrimas noturnas,
Deparei-me com um conjunto
Entoando o canto erudito
De uma melodia belíssima!
Envolvente e com mui sentimento...
Ora, que momento seria melhor para ouvi-los?
As notas cantadas brilham
Como se todo esse amor não fosse só meu.
Curioso acaso para a minha poesia
Que andava tão solitária.
Mui amorosa, ela deparou-se
Com um breve momento sublime.
Onde a trágica condição harmônica
Enaltece a minha própria condição.
No fundo, tentei tornar-me um melhor entendedor.
Essas lágrimas são necessárias!
Não transmitem nenhuma solução, além de soluços,
Mas ajudam a pensar melhor.
E o amor por que sofre?
Ora, não seja assim tão pessimista.
De que outra forma a vida poderia chorar?
Deixa ela desabafar de vez em quando, homem de deus!
Ela vai precisar.
Um gole d'água fresca!
Um sumo de fruta gorda!
Após derreter as flores do vale
Com minhas lágrimas noturnas,
Deparei-me com um conjunto
Entoando o canto erudito
De uma melodia belíssima!
Envolvente e com mui sentimento...
Ora, que momento seria melhor para ouvi-los?
As notas cantadas brilham
Como se todo esse amor não fosse só meu.
Curioso acaso para a minha poesia
Que andava tão solitária.
Mui amorosa, ela deparou-se
Com um breve momento sublime.
Onde a trágica condição harmônica
Enaltece a minha própria condição.
No fundo, tentei tornar-me um melhor entendedor.
Essas lágrimas são necessárias!
Não transmitem nenhuma solução, além de soluços,
Mas ajudam a pensar melhor.
E o amor por que sofre?
Ora, não seja assim tão pessimista.
De que outra forma a vida poderia chorar?
Deixa ela desabafar de vez em quando, homem de deus!
Ela vai precisar.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
O que será que serei eu?
O que será que serei eu?
Um comedor de cal e caracóis?
Uma folha verde que sossega na fumaça?
O primeiro traço de um bebê,
Ou o último traço de um artista?
O que será que serei eu?
A voz real da pessoa amada?
Uma fuga pelo teu próprio caminho?
Um naco de nuvem nanica,
Ou o riso daquela morena?
O que será que serei eu?
O vigilante de um castelo em chamas?
Um murro que levamos na costela?
Uma breve jornada para casa,
Ou uma última volta ao mundo?
O que será que serei eu?
Um ser que ama em desespero?
Um ser que chora pelo infinito?
Uma pedra que rola no abismo?
Uma paixão que te torna aflito?
O que será que serei eu?
Um comedor de cal e caracóis?
Uma folha verde que sossega na fumaça?
O primeiro traço de um bebê,
Ou o último traço de um artista?
O que será que serei eu?
A voz real da pessoa amada?
Uma fuga pelo teu próprio caminho?
Um naco de nuvem nanica,
Ou o riso daquela morena?
O que será que serei eu?
O vigilante de um castelo em chamas?
Um murro que levamos na costela?
Uma breve jornada para casa,
Ou uma última volta ao mundo?
O que será que serei eu?
Um ser que ama em desespero?
Um ser que chora pelo infinito?
Uma pedra que rola no abismo?
Uma paixão que te torna aflito?
O que será que serei eu?
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Formosa
Quem me dera
Poder mergulhar
No mar dos olhos
Dessa menina
De pele clara e rosa,
Oceano que não termina,
Frágil como uma casa,
É seu narizinho, Marina.
Se eu pudesse guardar o mundo
Seria na tua voz que rima.
E quanto menos o tempo passa
Maior o desejo que desatina.
Logo eu fui te conhecer
E suas mãos tão pequeninas
Fez da minha voz meus versos,
Pois ser livre é minha sina.
Poder mergulhar
No mar dos olhos
Dessa menina
De pele clara e rosa,
Oceano que não termina,
Frágil como uma casa,
É seu narizinho, Marina.
Se eu pudesse guardar o mundo
Seria na tua voz que rima.
E quanto menos o tempo passa
Maior o desejo que desatina.
Logo eu fui te conhecer
E suas mãos tão pequeninas
Fez da minha voz meus versos,
Pois ser livre é minha sina.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Essa história de vida...
Essa história de vida...
Me impressiona à beça...
Tento sempre tanto...
... ser nada.
Ah, meus olhos de sangue
Supremos, em fogo, ligeiros.
Rachando seus glóbulos vermelhos
Num aborto totalmente eficaz.
Arando o solo da pele,
Cozendo chás e sóis.
Melhor era todo essa amor se acabar,
Ou talvez recomeçar seu voo.
Gosto da vida como ela de mim.
Gosto da maneira com que brotam,
Afloram e depois florescem, as palavras.
Nos incumbindo de libertá-las,
Sempre mais,
Uma por uma,
De todo o nosso julgamento de dentro.
Aliviando nosso sofrimento
Por exprimir num único tom...
A vida. Que ainda me impressiona.
Me impressiona à beça...
Tento sempre tanto...
... ser nada.
Ah, meus olhos de sangue
Supremos, em fogo, ligeiros.
Rachando seus glóbulos vermelhos
Num aborto totalmente eficaz.
Arando o solo da pele,
Cozendo chás e sóis.
Melhor era todo essa amor se acabar,
Ou talvez recomeçar seu voo.
Gosto da vida como ela de mim.
Gosto da maneira com que brotam,
Afloram e depois florescem, as palavras.
Nos incumbindo de libertá-las,
Sempre mais,
Uma por uma,
De todo o nosso julgamento de dentro.
Aliviando nosso sofrimento
Por exprimir num único tom...
A vida. Que ainda me impressiona.
sábado, 12 de setembro de 2009
Debussy
Porquê é isso, é a vida.
Como o tempo é a vida.
Vida. Palavra estranha, tão imensa...
Vida. Olha aí! Quanta amplidão...
Lá vem ela, sempre.
Também pudera. Sempre imaginei
Coisas assim, imensas e infinitas...
Sempre imaginei a vida, imagino.
E sempre eu quis esquece-la,
De todo o meu coração... mas,
Prepare-se! Aí vem ela, toda, completa,
Olha ela! Olha ela! Viu? Não viu?
Calma! Não se preocupe, dê uma risada.
Logo logo ela vem denovo, e quando vem...
É sempre simples. Sempre inteira.
Não há alternativa, vê? A vida é pra valer, durona.
E eu me pergunto numa situação dessas:
Sabemos que um dia experimentaremos
A não-vida, por eternas partículas de...
De...
De...(bussy)
De...(bussy)
Dê!
Dê!
Dê(bussy)!
Dê para mim essa palavra eu preciso dela!
Vamos lá, vamos lá, vamos!
A palavra João...
A palavra...
"Clair de Lune"
O quê?
"Clair-de-Lune"...
Sim!
Sim?
"Clair de Lune"! É ela!
Encontrei a palavra!
Experimentaremos, inevitavelmente,
A não-vida, por
Eternas
Partículas de
"Clair de Lune"
Como o tempo é a vida.
Vida. Palavra estranha, tão imensa...
Vida. Olha aí! Quanta amplidão...
Lá vem ela, sempre.
Também pudera. Sempre imaginei
Coisas assim, imensas e infinitas...
Sempre imaginei a vida, imagino.
E sempre eu quis esquece-la,
De todo o meu coração... mas,
Prepare-se! Aí vem ela, toda, completa,
Olha ela! Olha ela! Viu? Não viu?
Calma! Não se preocupe, dê uma risada.
Logo logo ela vem denovo, e quando vem...
É sempre simples. Sempre inteira.
Não há alternativa, vê? A vida é pra valer, durona.
E eu me pergunto numa situação dessas:
Sabemos que um dia experimentaremos
A não-vida, por eternas partículas de...
De...
De...(bussy)
De...(bussy)
Dê!
Dê!
Dê(bussy)!
Dê para mim essa palavra eu preciso dela!
Vamos lá, vamos lá, vamos!
A palavra João...
A palavra...
"Clair de Lune"
O quê?
"Clair-de-Lune"...
Sim!
Sim?
"Clair de Lune"! É ela!
Encontrei a palavra!
Experimentaremos, inevitavelmente,
A não-vida, por
Eternas
Partículas de
"Clair de Lune"
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Menina
Moça cor do planalto
Pele azul ouro índia,
Negra e linda,
Rosto de brisa,
Cabelo de prata mais alto
Bravura de Deusa, mito,
Sombra de flores, em bons ares,
É morada da mata, ato frágil.
Meu frágil, macio abril, mulata,
Despetalado nessa moça,
Mel de árvore nasceu.
Essa canção tímida
Quero que você ouça,
Porque já amanheceu.
Pele azul ouro índia,
Negra e linda,
Rosto de brisa,
Cabelo de prata mais alto
Bravura de Deusa, mito,
Sombra de flores, em bons ares,
É morada da mata, ato frágil.
Meu frágil, macio abril, mulata,
Despetalado nessa moça,
Mel de árvore nasceu.
Essa canção tímida
Quero que você ouça,
Porque já amanheceu.
sábado, 22 de agosto de 2009
Fora de Época
Rain drops saturday
Chovendo, chovendo, chovendo!
Chove essa água de agosto,
Chove essas pedras.
O ar estava mesmo seco.
Chovendo, chovendo, chovendo!
Chove essa água de agosto,
Chove essas pedras.
O ar estava mesmo seco.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Golpe
Esta tamanha dor me atordoa!
Quero guardá-la num tonel de pinga...
Arrueiros, ossos da caatinga,
Entoo música, alma só, pessoa!
De que lhe vale, Nero, o ouro bandido?
E o tépido trote d'mada?
Seria doce luz a madrugada
Chamar seus olhos por seu apelido?
E uma lágrima me aprofunda
Num soberano mar de sentimento.
Voando baixo sobre o firmamento
Ao céu de fogo ao som do samba e rumba.
Comi virtudes. Vou colhendo estradas.
Escoregando em minhas falcatruas!
Servi ao bel prazer da propria amada,
Amando o terço das mulheres nuas!
Poria o sol na pista de um soldado
Que lutaria contra a própria pança?
Seria o encanto do desencantado,
Ou sua alma que em mim balança?
Formei os frutos do esquecimento
E camuflei o sumo do passado.
Entre o presente, um muro de cimento,
Confiro o amor e morte resguardado!
Quero guardá-la num tonel de pinga...
Arrueiros, ossos da caatinga,
Entoo música, alma só, pessoa!
De que lhe vale, Nero, o ouro bandido?
E o tépido trote d'mada?
Seria doce luz a madrugada
Chamar seus olhos por seu apelido?
E uma lágrima me aprofunda
Num soberano mar de sentimento.
Voando baixo sobre o firmamento
Ao céu de fogo ao som do samba e rumba.
Comi virtudes. Vou colhendo estradas.
Escoregando em minhas falcatruas!
Servi ao bel prazer da propria amada,
Amando o terço das mulheres nuas!
Poria o sol na pista de um soldado
Que lutaria contra a própria pança?
Seria o encanto do desencantado,
Ou sua alma que em mim balança?
Formei os frutos do esquecimento
E camuflei o sumo do passado.
Entre o presente, um muro de cimento,
Confiro o amor e morte resguardado!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ainda
Para você, que eu não conheço
Mas que amo e, alías, que sempre amarei.
Eu prometo que serei o que tiver de ser.
Juro, você saberá dos pedaços de minha vida
E me será de frágil textura quando dormir.
Quando tu chegar e eu estiver sozinho
Vai ver aquela flor de todas as cores, sozinha.
Quando pousar em mim, como o sol num vasto oceano,
Serei o que te entrega a vida, linda e nua!
Como a noite, serei o escuro de tua sonolência,
O sopro de ar morno que aquece teu rosto.
Quando tu caminhar no deserto do sonho que desatina,
Serei a chuva de pequeninos olhos e pingos de prata.
Apenas serei minha alegria, amarei teu amor.
Como uma raiz, contemplarei o sentido único
Da tua presença. Molhas meu rosto de lágrimas
Quando sorri, quando torna-se minha casa quente.
Você me faz parecer menos só... sozinho sempre.
O instrumento de música que faço será para você,
E para tudo que encontrares no caminho.
Quando você me olhar daquele jeito,
Sentirei o amarelo forte, também o vinho.
Quando me tocar e sorrir, intenso rosa.
Mãos pequeninas, alma infinita como a minha,
Que eu amo e sempre amarei,
Sabendo pouco, quase nada,
Quem é você, ainda.
Mas que amo e, alías, que sempre amarei.
Eu prometo que serei o que tiver de ser.
Juro, você saberá dos pedaços de minha vida
E me será de frágil textura quando dormir.
Quando tu chegar e eu estiver sozinho
Vai ver aquela flor de todas as cores, sozinha.
Quando pousar em mim, como o sol num vasto oceano,
Serei o que te entrega a vida, linda e nua!
Como a noite, serei o escuro de tua sonolência,
O sopro de ar morno que aquece teu rosto.
Quando tu caminhar no deserto do sonho que desatina,
Serei a chuva de pequeninos olhos e pingos de prata.
Apenas serei minha alegria, amarei teu amor.
Como uma raiz, contemplarei o sentido único
Da tua presença. Molhas meu rosto de lágrimas
Quando sorri, quando torna-se minha casa quente.
Você me faz parecer menos só... sozinho sempre.
O instrumento de música que faço será para você,
E para tudo que encontrares no caminho.
Quando você me olhar daquele jeito,
Sentirei o amarelo forte, também o vinho.
Quando me tocar e sorrir, intenso rosa.
Mãos pequeninas, alma infinita como a minha,
Que eu amo e sempre amarei,
Sabendo pouco, quase nada,
Quem é você, ainda.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Repente Repentino
Vamos pegar o trem!
Vamo pega o treim!
Vamos pegar o trem!
Vamo pegá o treim!
Ramo pegá o treim!
Ramos pegá outrem!
Ramo pegá o traim!
Ramos pegá outrem!
Vã mospegar o trem!
Van mospegar otreim!
Vã mospegar o trem!
Van mospegar otreim!
Ramo regar o rei!
Rã morrigual o rim!
Ramo regar o rei!
Rã morrigual o rim!
Vamos cegar o reino
Vá morcegar o gim!
Vamos cegar o reino
Vá morcegar o gim!
Vamo chegar mais cedo, ômonêna!
Ramo xegá mar tarde!
Vamo chegar mais cedo, ôneguinha!
Ramo xegá mar tarde!
Pindoca para o Remo!
Pinduca pindurado!
Pindoca para o Remo!
Pinduca pindurado!
Ramo corre ligero!
Ramo fugi no ato!
Ramo corre ligero!
Ramo fugi no ato!
Risoca pra rizeiro!
A arroz de tipo condenado!
Risoca pra rizeiro, ômainha!
Arroz de tipo estragado!
Remo reboca a rua, ruela!
Ramo indo para o sul!
Re-reboca-car a rua, ôpretinha!
Inuinu para o sul!
Inuinu parunór!
Inuinu parosú!
Inuinu parulés, ômagréla!
Inuinu pararacaju!
Volta volta que eu te mando!
Volta fica por favor!
Se não volta a volta não diz nadômianêga!
Volto para minha dor!
VAMOS PEGAR O TREM, CAMARÁ-Ê!
VAMOS PEGAR O TREM, CAMARÁ!
VAMOS PEGAR O TREM, CAMARÃO!
VAMO PEGÁ O TREIM, CAMARÁ-dá!
Vamo pega o treim!
Vamos pegar o trem!
Vamo pegá o treim!
Ramo pegá o treim!
Ramos pegá outrem!
Ramo pegá o traim!
Ramos pegá outrem!
Vã mospegar o trem!
Van mospegar otreim!
Vã mospegar o trem!
Van mospegar otreim!
Ramo regar o rei!
Rã morrigual o rim!
Ramo regar o rei!
Rã morrigual o rim!
Vamos cegar o reino
Vá morcegar o gim!
Vamos cegar o reino
Vá morcegar o gim!
Vamo chegar mais cedo, ômonêna!
Ramo xegá mar tarde!
Vamo chegar mais cedo, ôneguinha!
Ramo xegá mar tarde!
Pindoca para o Remo!
Pinduca pindurado!
Pindoca para o Remo!
Pinduca pindurado!
Ramo corre ligero!
Ramo fugi no ato!
Ramo corre ligero!
Ramo fugi no ato!
Risoca pra rizeiro!
A arroz de tipo condenado!
Risoca pra rizeiro, ômainha!
Arroz de tipo estragado!
Remo reboca a rua, ruela!
Ramo indo para o sul!
Re-reboca-car a rua, ôpretinha!
Inuinu para o sul!
Inuinu parunór!
Inuinu parosú!
Inuinu parulés, ômagréla!
Inuinu pararacaju!
Volta volta que eu te mando!
Volta fica por favor!
Se não volta a volta não diz nadômianêga!
Volto para minha dor!
VAMOS PEGAR O TREM, CAMARÁ-Ê!
VAMOS PEGAR O TREM, CAMARÁ!
VAMOS PEGAR O TREM, CAMARÃO!
VAMO PEGÁ O TREIM, CAMARÁ-dá!
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Abismo
O homem que sorri a todos indistintamente,
O faz por esconder verdadeira tristeza
Nas profundezas da alma,
Sem ter calma,
Sofre como se tua outra mão
Fosse igual a outra mão de seu pior inimigo.
Sobrevoar nas órbitas do espírito
Com júbilo,
Coragem,
Quem sabe apenas rezar sem saber,
Quem sabe?
Serei eu o nome que todos pronunciam?
Pouco.
Muito Pouco.
Longe de mim,
sim, impossível!
Como gelatina velha, como sabor de casca de árvore,
Serei somente eu meu cúmplice?
Bobagem, quer mais?
Eu tenho que confessar:
Amo alguém que frequenta meus olhos,
Como o mar. E assim como o Sol,
Toca no horizonte sem encostar,
Porque hão de se amar eternamente,
Sem nunca poderem se abraçar,
Pois, ao seu encontro, do mar
A água há de tornar-se nuvem,
E o fogo do Sol se extiguirá.
Mas a minha tristeza,
Minha fragilidade secreta,
São suficientes para mim.
Isto é um exorcismo.
Não suporto mais escrever sobre mim
Envergonhado do mundo.
A raiva tem pressa, se apossa,
Camufla-se nas entranhas.
Torna-se orgânica.
Quando passa só deixa passos
Da incoerência.
Livre-se disso!
Meta a cara nos versos!
A cara da tristeza nos compassos!
No vaso sanitário,
Dê descarga como se fosse
A merda mais repugnante que suas pregas
Jamais regurgitaram!
Foda-se! Burgueses de merda. Serei merda como vocês?
Abandono, será possível alguém também sentir isso?
Tantas comoções...
Por uma simples lembrança...
Para o diabo com você. Eu te odeio.
Eu sou um escroto. Um canalha.
Sou vil como o véu da morte
Do veneno da cascavél de um vício,
Calçificada em tua calçada diária.
Destas palavras desista agora!
Vire esta página. Desligue tudo, sei lá.
Vire o rosto para o lado, não leia mais.
Se não o fizer vomitarei meu brilho
Em tua direção, cego e poderoso, fétido.
Decidi que isso não é mais problema
Para uma criação estupenda como eu.
Um homem chora por ser demasiado feliz.
Muita felicidade leva ao abismo,
O choro alivía.
Recolhe os frutos caídos no chão do pomar
Depois da ventania.
Nunca saia de casa sem pensar em mim.
Como legado, porque desejaria ser lembrado?
Jovem moça, velha moça. Capture aquela noite.
Capture as estrelas, olhos, ameixas, soleiras,
Morangos, morcegos, línguas... Esqueçam!
Agora, talvez, nunca mais sejam os mesmos.
Passe bem o dia, noite ou tarde.
Mas por favor, alma, não se faça de covarde.
Mergulhe, salte, arrisque toda sua quantia!
Odeie minha carne, Queime-a no fogo infâme!
O faz por esconder verdadeira tristeza
Nas profundezas da alma,
Sem ter calma,
Sofre como se tua outra mão
Fosse igual a outra mão de seu pior inimigo.
Sobrevoar nas órbitas do espírito
Com júbilo,
Coragem,
Quem sabe apenas rezar sem saber,
Quem sabe?
Serei eu o nome que todos pronunciam?
Pouco.
Muito Pouco.
Longe de mim,
sim, impossível!
Como gelatina velha, como sabor de casca de árvore,
Serei somente eu meu cúmplice?
Bobagem, quer mais?
Eu tenho que confessar:
Amo alguém que frequenta meus olhos,
Como o mar. E assim como o Sol,
Toca no horizonte sem encostar,
Porque hão de se amar eternamente,
Sem nunca poderem se abraçar,
Pois, ao seu encontro, do mar
A água há de tornar-se nuvem,
E o fogo do Sol se extiguirá.
Mas a minha tristeza,
Minha fragilidade secreta,
São suficientes para mim.
Isto é um exorcismo.
Não suporto mais escrever sobre mim
Envergonhado do mundo.
A raiva tem pressa, se apossa,
Camufla-se nas entranhas.
Torna-se orgânica.
Quando passa só deixa passos
Da incoerência.
Livre-se disso!
Meta a cara nos versos!
A cara da tristeza nos compassos!
No vaso sanitário,
Dê descarga como se fosse
A merda mais repugnante que suas pregas
Jamais regurgitaram!
Foda-se! Burgueses de merda. Serei merda como vocês?
Abandono, será possível alguém também sentir isso?
Tantas comoções...
Por uma simples lembrança...
Para o diabo com você. Eu te odeio.
Eu sou um escroto. Um canalha.
Sou vil como o véu da morte
Do veneno da cascavél de um vício,
Calçificada em tua calçada diária.
Destas palavras desista agora!
Vire esta página. Desligue tudo, sei lá.
Vire o rosto para o lado, não leia mais.
Se não o fizer vomitarei meu brilho
Em tua direção, cego e poderoso, fétido.
Decidi que isso não é mais problema
Para uma criação estupenda como eu.
Um homem chora por ser demasiado feliz.
Muita felicidade leva ao abismo,
O choro alivía.
Recolhe os frutos caídos no chão do pomar
Depois da ventania.
Nunca saia de casa sem pensar em mim.
Como legado, porque desejaria ser lembrado?
Jovem moça, velha moça. Capture aquela noite.
Capture as estrelas, olhos, ameixas, soleiras,
Morangos, morcegos, línguas... Esqueçam!
Agora, talvez, nunca mais sejam os mesmos.
Passe bem o dia, noite ou tarde.
Mas por favor, alma, não se faça de covarde.
Mergulhe, salte, arrisque toda sua quantia!
Odeie minha carne, Queime-a no fogo infâme!
terça-feira, 28 de julho de 2009
Eu sou uma fratura, cega e sem pudor.
Sou uma pessoa impura, sem moral nenhuma como guia.
Tenho a mesma sensibilidade que uma rã, ou um camaleão,
Porém sou mestiço devido aos meus traços vis e obscuros.
Eu procuro declamar a todos que pouco me lixo às suas expectativas,
Pois odeio meu reflexo tal que não produzo alegria, nem planos, nem felicidade.
Vivo num quarto vazio sobre os pés de todos os outros. Os outros.
Vizinhos perfeitos, amigos fiéis e amantes puros.
Sou um asco na boca das pessoas próximas.
Quero cagar na mente de todos que satirizam e se horrorizam com minhas atitudes bizarras, impulsivas sempre que posso, ou devo.
Derreto meus pés no peito de quem me trair.
Suplico por um momento de pureza total e o que recebo em troca, na maioria das vezes, é distância, distante, tão distante, totalmente longe de alcançar.
Não sou como todas as pessoas que guardam seus órgãos genitais dentro da enclausura de seu caráter previsível e familiar.
Meu caráter é um veneno.
Que mantêm sentimentos tão modernos que minha mente de bicho pelado não suporta compreender.
Quero ir embora daqui, pois parece que minha busca é falha.
Vou para outro lugar, outro país, outro planeta, outra galáxia, outro universo, outro, outro... outro
Sentido, crença de outra vida, eu não desejaria, nem que me matem, sobreviver ao lado de vocês imundos, irmãos de sangue e palavras, sujos como pombos encerados de avenidas transcendentais.
Fora de mim, não desejo sua pureza, nem aceitação, nem pronúncia.
Eu acato apenas a sua renúncia. Renuncie daí, que eu renuncio daqui.
Como uma troca formaremos uma nova aliança com os braços.
Eu apenas ignorarei sua carne enquanto não queiras queimá-la junto à minha. Esquecerei sua imperfeição de maneira que você não precisa mais brincar de se esconder.
O caminho é melhor quando aos poucos.
Sou uma pessoa impura, sem moral nenhuma como guia.
Tenho a mesma sensibilidade que uma rã, ou um camaleão,
Porém sou mestiço devido aos meus traços vis e obscuros.
Eu procuro declamar a todos que pouco me lixo às suas expectativas,
Pois odeio meu reflexo tal que não produzo alegria, nem planos, nem felicidade.
Vivo num quarto vazio sobre os pés de todos os outros. Os outros.
Vizinhos perfeitos, amigos fiéis e amantes puros.
Sou um asco na boca das pessoas próximas.
Quero cagar na mente de todos que satirizam e se horrorizam com minhas atitudes bizarras, impulsivas sempre que posso, ou devo.
Derreto meus pés no peito de quem me trair.
Suplico por um momento de pureza total e o que recebo em troca, na maioria das vezes, é distância, distante, tão distante, totalmente longe de alcançar.
Não sou como todas as pessoas que guardam seus órgãos genitais dentro da enclausura de seu caráter previsível e familiar.
Meu caráter é um veneno.
Que mantêm sentimentos tão modernos que minha mente de bicho pelado não suporta compreender.
Quero ir embora daqui, pois parece que minha busca é falha.
Vou para outro lugar, outro país, outro planeta, outra galáxia, outro universo, outro, outro... outro
Sentido, crença de outra vida, eu não desejaria, nem que me matem, sobreviver ao lado de vocês imundos, irmãos de sangue e palavras, sujos como pombos encerados de avenidas transcendentais.
Fora de mim, não desejo sua pureza, nem aceitação, nem pronúncia.
Eu acato apenas a sua renúncia. Renuncie daí, que eu renuncio daqui.
Como uma troca formaremos uma nova aliança com os braços.
Eu apenas ignorarei sua carne enquanto não queiras queimá-la junto à minha. Esquecerei sua imperfeição de maneira que você não precisa mais brincar de se esconder.
O caminho é melhor quando aos poucos.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Ela
"Olhos doces
De quem quer bem.
Palavras sutis
Que adentram suavemente
A alma.
Abraço apertado e caloroso.
Sorrisos descompromissados,
Sem aviso prévio.
Encontros
Esporádicos
Enfeitiçados.
Magia...
Mágica de tornar-se uno.
E então a simplicidade
Que se transforma
Em grandeza".
R.F
De quem quer bem.
Palavras sutis
Que adentram suavemente
A alma.
Abraço apertado e caloroso.
Sorrisos descompromissados,
Sem aviso prévio.
Encontros
Esporádicos
Enfeitiçados.
Magia...
Mágica de tornar-se uno.
E então a simplicidade
Que se transforma
Em grandeza".
R.F
sábado, 18 de julho de 2009
Mosquinha
Quem rende-se a tudo
É porque ama muito.
Ama em demasia.
É o vício de cor vazia.
Tramas de cor verde
Que sente por dentro
Contrações, fome, sede,
Frágeis folhas de coentro.
Teus poucos versos,
Tua sóbria rima,
Tão louca quanto a minha
Tão pouca e mesquinha.
Pouca e mosquinha.
É porque ama muito.
Ama em demasia.
É o vício de cor vazia.
Tramas de cor verde
Que sente por dentro
Contrações, fome, sede,
Frágeis folhas de coentro.
Teus poucos versos,
Tua sóbria rima,
Tão louca quanto a minha
Tão pouca e mesquinha.
Pouca e mosquinha.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
rio que Rilke riu
Eu não me aguento, não me quero.
Não posso me levar.
Toda esta fumaça, este inferno,
Esta beleza perdida e despedaçada,
Esse caos em meu sangue.
Fuligens cotidianas.
Sempre dentro, sempre fora.
Palco de sucesso e derrota: meu peito.
Serão estas cenas palavras de poesia?
Poesia. Túnel de rosa, luz de vento,
Irmã mais pura da esquizofrenia.
Ninguém mais está a salvo.
Morram todos em tempo lento,
Ou tornem-se flechas, ao invés de alvos.
Praga, prole, punho, puta, PARA!
Salva-vidas não flores de forma alguma!
Não flores salvar nada além de si!
Alma penada, sofredor divino!
Interrompa esta chaga,
pátria, prata, hino!
Vai te embora filho do desejo.
Vá e não volte tão cedo.
Abre-te como um pássaro ingênuo.
Não cante além de mim!
Vontade de socar o mundo
Com toneladas de filosofia imunda.
A limpeza é triste,
E o homem que muito sorri
É que guarda muita tristeza em si,
Como um rio enorme que vive,
E morre aos poucos enquanto resiste.
RESISTE!
Não posso me levar.
Toda esta fumaça, este inferno,
Esta beleza perdida e despedaçada,
Esse caos em meu sangue.
Fuligens cotidianas.
Sempre dentro, sempre fora.
Palco de sucesso e derrota: meu peito.
Serão estas cenas palavras de poesia?
Poesia. Túnel de rosa, luz de vento,
Irmã mais pura da esquizofrenia.
Ninguém mais está a salvo.
Morram todos em tempo lento,
Ou tornem-se flechas, ao invés de alvos.
Praga, prole, punho, puta, PARA!
Salva-vidas não flores de forma alguma!
Não flores salvar nada além de si!
Alma penada, sofredor divino!
Interrompa esta chaga,
pátria, prata, hino!
Vai te embora filho do desejo.
Vá e não volte tão cedo.
Abre-te como um pássaro ingênuo.
Não cante além de mim!
Vontade de socar o mundo
Com toneladas de filosofia imunda.
A limpeza é triste,
E o homem que muito sorri
É que guarda muita tristeza em si,
Como um rio enorme que vive,
E morre aos poucos enquanto resiste.
RESISTE!
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Outonão
Foi no entardecer de um verão moribundo,
Aparentemente muito normal, que floreceu
E logo, de súbito, feneceu, o fruto embrionário
Do calor dos sóis universal.
Desse embrião chamado Outono,
A vida veio receosa e letal.
E o frio dos tetos baixos, no inverno,
Inda é uma chama que se extingui cálida
E lentamente. Vivendo completamente
Seu fogo interno.
Lembrei-me da pedra lisa na fogueira
Vaporizando um café camponês:
Estimulantemente amigo.
Nestes dias de cores esvaídas,
Três tentativas de saída à beira,
E o fruto da escuridão regurgitou-se,
Fraco e tenso, cego em minhas tripas macias.
Sob a cama olhei um retrato de gente já morta,
No qual, segundo os sóis da noite,
Estava uma carta secreta para mim.
A receita da seiva quer ser criada!
E consumida em forma de sumo doce!
Nenhuma nuvem, nem ave ou castor
Puderam consolar-me naquele instante.
Aparentemente muito normal, que floreceu
E logo, de súbito, feneceu, o fruto embrionário
Do calor dos sóis universal.
Desse embrião chamado Outono,
A vida veio receosa e letal.
E o frio dos tetos baixos, no inverno,
Inda é uma chama que se extingui cálida
E lentamente. Vivendo completamente
Seu fogo interno.
Lembrei-me da pedra lisa na fogueira
Vaporizando um café camponês:
Estimulantemente amigo.
Nestes dias de cores esvaídas,
Três tentativas de saída à beira,
E o fruto da escuridão regurgitou-se,
Fraco e tenso, cego em minhas tripas macias.
Sob a cama olhei um retrato de gente já morta,
No qual, segundo os sóis da noite,
Estava uma carta secreta para mim.
A receita da seiva quer ser criada!
E consumida em forma de sumo doce!
Nenhuma nuvem, nem ave ou castor
Puderam consolar-me naquele instante.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
A Dor do Amor
A dor do amor
É a rima da tristeza.
É gota de suor
De um corpo (copo) sem certeza.
É um golpe de mestre
Que estraçalha pensamento.
Que sossega quando esqueçe...
Quando cansa do momento.
É a flor que brota escura
E não divide sua beleza.
Não canta, não ri e não dura...
Chora enquanto acesa.
É a rima da tristeza.
É gota de suor
De um corpo (copo) sem certeza.
É um golpe de mestre
Que estraçalha pensamento.
Que sossega quando esqueçe...
Quando cansa do momento.
É a flor que brota escura
E não divide sua beleza.
Não canta, não ri e não dura...
Chora enquanto acesa.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Camarada
Ó menina bonita
Deixe a tristeza passar
Porque está tão decidida
A não me acompanhar?
Ah não, pense na vida!
Assim não pode ser.
Não vê? Não percebe?
Sem você é difícil viver.
Uma coisa eu te digo,
Me dá vontade de viajar!
Sair pelo mundo antigo,
Quem sabe até velejar!
Porque o tempo é nada
Logo passa, logo acaba.
Mas você continua a melhor companhia,
Menina bonita, camarada.
Deixe a tristeza passar
Porque está tão decidida
A não me acompanhar?
Ah não, pense na vida!
Assim não pode ser.
Não vê? Não percebe?
Sem você é difícil viver.
Uma coisa eu te digo,
Me dá vontade de viajar!
Sair pelo mundo antigo,
Quem sabe até velejar!
Porque o tempo é nada
Logo passa, logo acaba.
Mas você continua a melhor companhia,
Menina bonita, camarada.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Sérgio
Esse amigo meu que te conto
É artista, joga baralho e toca tuba.
Não se preocupe se perder o bonde,
Esse ai é um garoto da mata, da noite, de cuba.
Esse cara é a cara de todo mundo.
Minha cara, tua cara, cara de tudo,
Até cara de pau se preciso
Pois nesse mundo o preciso não é tudo
Só o respeito acima do recado:
Esse cara é uma benção,
Vinda lá do outro lado.
É artista, joga baralho e toca tuba.
Não se preocupe se perder o bonde,
Esse ai é um garoto da mata, da noite, de cuba.
Esse cara é a cara de todo mundo.
Minha cara, tua cara, cara de tudo,
Até cara de pau se preciso
Pois nesse mundo o preciso não é tudo
Só o respeito acima do recado:
Esse cara é uma benção,
Vinda lá do outro lado.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Poema de Vinho
Rubores desta página manchada
São canções do descontexto.
São como ruas de flor cálida,
Como eu, amando sem nenhum pretexto.
Penso, aliás, se estas uvas engarrafadas
Ousarão expurgar minha dor aos ventos?
Sob a prata intercalada,
Terão lido meus lamentos?
Alvo de fúria desregrada,
Sobre a fátua pérola de minha nuca,
Outra pedra tornou-se bruta
No canto da noite, em mim sulcada.
A minha falta de ira goza, em maio,
Subitamente, sua falta de pejo.
Das frias pradas do oriente entalho
Estas palavras trazidas no ensejo.
São canções do descontexto.
São como ruas de flor cálida,
Como eu, amando sem nenhum pretexto.
Penso, aliás, se estas uvas engarrafadas
Ousarão expurgar minha dor aos ventos?
Sob a prata intercalada,
Terão lido meus lamentos?
Alvo de fúria desregrada,
Sobre a fátua pérola de minha nuca,
Outra pedra tornou-se bruta
No canto da noite, em mim sulcada.
A minha falta de ira goza, em maio,
Subitamente, sua falta de pejo.
Das frias pradas do oriente entalho
Estas palavras trazidas no ensejo.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Lágrima de Sal
Dias de maio.
Fúria.
Hálito após o ensaio.
Rubi no céu da boca.
Tua lua rebelde e louca,
Sã e pouca,
Fosso que caio
Quando o prazer cobre
A dor espúria,
À carne transpira nua,
Rouca.
Derrama cabelos frágeis,
De tua nuca
Chorando em mim,
Sulcam com poucas
Pétalas de ópio
A seda dos seios carmim,
Dourada de noite.
Ao final,
Soprou, cedeu e adormeceu
Enfim,
Lagrimada de sal.
Fúria.
Hálito após o ensaio.
Rubi no céu da boca.
Tua lua rebelde e louca,
Sã e pouca,
Fosso que caio
Quando o prazer cobre
A dor espúria,
À carne transpira nua,
Rouca.
Derrama cabelos frágeis,
De tua nuca
Chorando em mim,
Sulcam com poucas
Pétalas de ópio
A seda dos seios carmim,
Dourada de noite.
Ao final,
Soprou, cedeu e adormeceu
Enfim,
Lagrimada de sal.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Verso
Ande por caminhar,
Estacione na vaga.
Desistir se o caminho
É desistente?
Este verso não diz
Absolutamente nada,
Esse verso sente.
Estacione na vaga.
Desistir se o caminho
É desistente?
Este verso não diz
Absolutamente nada,
Esse verso sente.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Centro
Há o ato do tempo
Nos pingos de tinta
Dos sinos que abrigam o silêncio.
Quebrando às águas do vento
Ao final da vida sucinta
O que mente a espuma de dentro.
E nem que o fruto se ressinta
Será suspensa a razão do centro
Quando de uma mãe a outra desminta.
Serei para sempre atento
Ao sol do dia que brilha
Enquanto sugar-me ar adentro.
Nos pingos de tinta
Dos sinos que abrigam o silêncio.
Quebrando às águas do vento
Ao final da vida sucinta
O que mente a espuma de dentro.
E nem que o fruto se ressinta
Será suspensa a razão do centro
Quando de uma mãe a outra desminta.
Serei para sempre atento
Ao sol do dia que brilha
Enquanto sugar-me ar adentro.
domingo, 29 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Canção Distraída
Como a noite você dança
Ao redor de mim balança
Com suas tranças esquecidas
E sua bolsa de marfim
Sobre o palco que é o chão
A eterna serenata diz não
Há uma ponte sobre as lágrimas
Que chovem sem fim
E ultrapassa os automoveis
E essa estrada segue as nuvens
Do seu arco de estrelas
Do seu quarto cor de carmim
E o seu morno travesseiro
De sua nuca tem o cheiro
Atravessa-me inteiro
Como um galho de jasmim
Ao redor de mim balança
Com suas tranças esquecidas
E sua bolsa de marfim
Sobre o palco que é o chão
A eterna serenata diz não
Há uma ponte sobre as lágrimas
Que chovem sem fim
E ultrapassa os automoveis
E essa estrada segue as nuvens
Do seu arco de estrelas
Do seu quarto cor de carmim
E o seu morno travesseiro
De sua nuca tem o cheiro
Atravessa-me inteiro
Como um galho de jasmim
domingo, 15 de março de 2009
Colheita
Eis em meu ver a era de vênus
E o inseto sabor de veneno.
Eis os capricórnios sinos.
Pontes sensuais de três lados.
Cabelos cristalinos.
Barco de espelhos naufragado.
Arco de universo em expansão.
Meu universo em contração.
Eis os versos da canção
Sobrevoando as ébrias
Éguas de azeite e cereja.
Surge o mamilo da flor de leite,
Surge enquanto fulge, enquanto dure,
Enquando deite!
E o inseto sabor de veneno.
Eis os capricórnios sinos.
Pontes sensuais de três lados.
Cabelos cristalinos.
Barco de espelhos naufragado.
Arco de universo em expansão.
Meu universo em contração.
Eis os versos da canção
Sobrevoando as ébrias
Éguas de azeite e cereja.
Surge o mamilo da flor de leite,
Surge enquanto fulge, enquanto dure,
Enquando deite!
terça-feira, 3 de março de 2009
Beija
Lábios
de mulher
Ameixa
flor de mel
Morna
saliva de rosa.
Prazer de café
aroma
Mulher de pérola
seda
Desliza frágil
a onda.
de mulher
Ameixa
flor de mel
Morna
saliva de rosa.
Prazer de café
aroma
Mulher de pérola
seda
Desliza frágil
a onda.
Um pensamento...
Meu espírito ardente
Defronta-se com o espelho
De minh'alma
Que belamente, de repente
Reflete os dois lados
Da lente de meus olhos.
Defronta-se com o espelho
De minh'alma
Que belamente, de repente
Reflete os dois lados
Da lente de meus olhos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Aos Beat Batentes
Eis os cíclicos homnídeos. Peças de argila bascas,
Ébrias da nevasca Dantesca, toscas.
E o verde das folhas e o aço das cascas,
Flutuam nas nuvens Beatnick de Boston.
Já que quero o alcool, de cara,
Kerouac quer o ópio do bico da arara
Onde toca o Carnaval de girinos e tâmaras
Quebrando o tempo e o véu das mascaras.
Ouça o chamado dos babuínos d'aurora
Em chamas de limbo e de erva sonora
O lírio da montanha rompe, sobrevoa, demora, e... e...
E morre na noite onde a lua mora.
O vinho é a hora, e a cor do sangue sangra.
Chá de Ginseng para Ginsberg, e mantra.
O manto de madeira rola sobre Burroughs
E o não-materialismo das poltronas de Clélio.
Espanto a todos os malditos não nascidos,
Que virão depois de mim, perpetuar a maldição.
Que saibam, são eles todos merecidos
Do licor dos versos que provoca solidão.
Ébrias da nevasca Dantesca, toscas.
E o verde das folhas e o aço das cascas,
Flutuam nas nuvens Beatnick de Boston.
Já que quero o alcool, de cara,
Kerouac quer o ópio do bico da arara
Onde toca o Carnaval de girinos e tâmaras
Quebrando o tempo e o véu das mascaras.
Ouça o chamado dos babuínos d'aurora
Em chamas de limbo e de erva sonora
O lírio da montanha rompe, sobrevoa, demora, e... e...
E morre na noite onde a lua mora.
O vinho é a hora, e a cor do sangue sangra.
Chá de Ginseng para Ginsberg, e mantra.
O manto de madeira rola sobre Burroughs
E o não-materialismo das poltronas de Clélio.
Espanto a todos os malditos não nascidos,
Que virão depois de mim, perpetuar a maldição.
Que saibam, são eles todos merecidos
Do licor dos versos que provoca solidão.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Manhã de Lua
"Aperte, então, forte, minha mão.
Tão perto, perto assim.
Colorido azul, como irmão:
Eu de você, você de mim.
Como cor de camaleão,
Até o chão, chovendo marfim,
A doce pele de teu seio
Vez em quando, sempre, em mim.
Bruta Lua, repleta de canção,
És a presença da pureza.
Essa prata lua de manjeiricão,
Como aroma da morte, com delicadeza.
Tú, Lua linda, mais profunda que tu mesma,
Sobrevoa a janela da manhã,
Derrama-me imenso mel de tristeza,
Inesquecível, como sabor de maçã."
João Miguel, 09/12/08
Tão perto, perto assim.
Colorido azul, como irmão:
Eu de você, você de mim.
Como cor de camaleão,
Até o chão, chovendo marfim,
A doce pele de teu seio
Vez em quando, sempre, em mim.
Bruta Lua, repleta de canção,
És a presença da pureza.
Essa prata lua de manjeiricão,
Como aroma da morte, com delicadeza.
Tú, Lua linda, mais profunda que tu mesma,
Sobrevoa a janela da manhã,
Derrama-me imenso mel de tristeza,
Inesquecível, como sabor de maçã."
João Miguel, 09/12/08
A Atriz
"Se eu fosse você provaria o nada
Ou ao menos aprenderia a levitar.
Não há morte, nem estrela que lhe diga:
Seu sabor é oliva, ou apenas sangue de luar.
Suprema. Pedra, fogo, tanto faz.
Não há canção que tua voz desafie o Sim,
Nem vazio, nem oceano de lágrima fugaz
Que não toque teus olhos em mim.
Do centro do ser ao palco de madeira
Tua nuca compõe o certo paladar do doce,
O samba dos tristes amores d'amoreira,
O aroma do quando. Esqueço o sobre.
Nem o tempo, inimigo do errado amor
Pode caminhar sobre ti, ele desiste.
O véu do choro é teu amigo maior,
O nunca, o nada, perto somente insiste.
Teu caminho é caminhar."
Com carinho, John.
Ou ao menos aprenderia a levitar.
Não há morte, nem estrela que lhe diga:
Seu sabor é oliva, ou apenas sangue de luar.
Suprema. Pedra, fogo, tanto faz.
Não há canção que tua voz desafie o Sim,
Nem vazio, nem oceano de lágrima fugaz
Que não toque teus olhos em mim.
Do centro do ser ao palco de madeira
Tua nuca compõe o certo paladar do doce,
O samba dos tristes amores d'amoreira,
O aroma do quando. Esqueço o sobre.
Nem o tempo, inimigo do errado amor
Pode caminhar sobre ti, ele desiste.
O véu do choro é teu amigo maior,
O nunca, o nada, perto somente insiste.
Teu caminho é caminhar."
Com carinho, John.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
O Dia
Hoje minha vida,
Sob um escombro,
Sobe, da solar
Indulgência, o ombro.
Noite entardecer breve,
Ainda que não na vida.
Na vida apenas emudece
O olhar contrário à saída.
Imorais pensamentos da sonolência
Quem, afinal, criticará a impermanência?
Frágil certeza dos Santos alimento.
Donos do futuro, lendários gerentes do tempo.
Hoje é o dia, dia negro;
Não à trevas, à pele.
Acordes soando adentro,
Eclipse musical do mundo.
Minhas palavras não são palavras.
Este verso não existe, apenas no não supremo.
Desista se o caminho é desistente.
Este verso não diz absolutamente nada,
Este verso sente.
Sob um escombro,
Sobe, da solar
Indulgência, o ombro.
Noite entardecer breve,
Ainda que não na vida.
Na vida apenas emudece
O olhar contrário à saída.
Imorais pensamentos da sonolência
Quem, afinal, criticará a impermanência?
Frágil certeza dos Santos alimento.
Donos do futuro, lendários gerentes do tempo.
Hoje é o dia, dia negro;
Não à trevas, à pele.
Acordes soando adentro,
Eclipse musical do mundo.
Minhas palavras não são palavras.
Este verso não existe, apenas no não supremo.
Desista se o caminho é desistente.
Este verso não diz absolutamente nada,
Este verso sente.
O não-poema da ilusão
Ser ilusão.
Ser ilusão.
-Hum, curioso.
-Tem sabor de ossos de ente.
O ser ilusão transpira ilusão,
E seu suor... tem um aroma pungente.
Explicação da ilusão,
Será o sabor da mente?
Ser a alça, borda, mentira?
Como a morte de uma Rosa, eternamente.
Como a eterna Rosa,
Ilusória Rosa da morte,
A não-ilusão existe,
Certamente não se sente.
Absurdamente não se ilude.
A não-desilusão não se desilude.
Não vive, pois não nasce.
Não cobra, pois não morre.
A ilusão apenas socorre. "
Ser ilusão.
-Hum, curioso.
-Tem sabor de ossos de ente.
O ser ilusão transpira ilusão,
E seu suor... tem um aroma pungente.
Explicação da ilusão,
Será o sabor da mente?
Ser a alça, borda, mentira?
Como a morte de uma Rosa, eternamente.
Como a eterna Rosa,
Ilusória Rosa da morte,
A não-ilusão existe,
Certamente não se sente.
Absurdamente não se ilude.
A não-desilusão não se desilude.
Não vive, pois não nasce.
Não cobra, pois não morre.
A ilusão apenas socorre. "
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Esfínge
Sinto o gosto amêndoa em meu palato alto,
Reluzindo suas abóbadas, pele de ouro.
Sonhando queimar-te de dor, meu tesouro,
Meu coração já derrete seu salto.
Demasiado sabor asfixiado, firme em minhas mãos,
Dono dos aromas turcos enterrados n'areia,
Teu corpo explícito e diamante, explode!
Como pode? Derrama, em demasia, poeira.
Amo e detesto esta esfínge, de cabelos fáceis e negros.
Cheguei até a provar teu seio. Pobre de mim, fraquejo.
Por que sonho? Por que vejo-te, por que quero-te,
Dor que sustento, esqueço, o olhar?
Reluzindo suas abóbadas, pele de ouro.
Sonhando queimar-te de dor, meu tesouro,
Meu coração já derrete seu salto.
Demasiado sabor asfixiado, firme em minhas mãos,
Dono dos aromas turcos enterrados n'areia,
Teu corpo explícito e diamante, explode!
Como pode? Derrama, em demasia, poeira.
Amo e detesto esta esfínge, de cabelos fáceis e negros.
Cheguei até a provar teu seio. Pobre de mim, fraquejo.
Por que sonho? Por que vejo-te, por que quero-te,
Dor que sustento, esqueço, o olhar?
Palavra
Amo-te tanto.
Teu ser, meu encanto.
Versos do amor cotidiano.
Versos do que nunca se vê:
Estes que agora canto
Por ti são de todo meu querer.
Resta perceber o enquanto,
A verdade, o sabor do prazer.
Ver as cores inverno nas flores.
Compartilhar a vaidade das árvores.
Banhar-se sob a Lua tão brilhante e trágica.
Amo-te no lento caminhar do velho
E no azul intolerável
De uma pétala de céu.
Cheiro de mato molhado.
Seu filho adormeceu.
Num supremo caminhar viver,
E alcançar, enfim, o nada.
Amo-te tanto, meu amor,
Palavra.
Teu ser, meu encanto.
Versos do amor cotidiano.
Versos do que nunca se vê:
Estes que agora canto
Por ti são de todo meu querer.
Resta perceber o enquanto,
A verdade, o sabor do prazer.
Ver as cores inverno nas flores.
Compartilhar a vaidade das árvores.
Banhar-se sob a Lua tão brilhante e trágica.
Amo-te no lento caminhar do velho
E no azul intolerável
De uma pétala de céu.
Cheiro de mato molhado.
Seu filho adormeceu.
Num supremo caminhar viver,
E alcançar, enfim, o nada.
Amo-te tanto, meu amor,
Palavra.
Nota
O quinto intervalo
Do flajelo desolado
Esconde-se nos escombros,
Nos sombrios assovios,
A frequência incansável.
Esta nota líquida,
Esta nota sem som,
Este som de nata,
Saculeja,
Quilombola de pele preta,
Esculacha.
Equilíbra.
Este som,
Sem som,
Sem si,
Sem vida.
Do flajelo desolado
Esconde-se nos escombros,
Nos sombrios assovios,
A frequência incansável.
Esta nota líquida,
Esta nota sem som,
Este som de nata,
Saculeja,
Quilombola de pele preta,
Esculacha.
Equilíbra.
Este som,
Sem som,
Sem si,
Sem vida.
A Fuga
O Segredo de esquecer
Vive num tronco forte.
Meus versos, duros como viver,
Furam-no como a morte.
Em que floresta ou estrela esquecida
Estão os dedos de marte?
Quem eleva, releva:
Pesar e dor, antes que te mate.
Sabor de pele quente.
Saliva doce, mestiça.
Meu poema guarda o que sente
Meu rosto repleto de brisa.
Louca manhã de Lua.
Suco de prata, pêras e fresas.
Em teu corpo meu músculo flutua,
Despe-se, e foge com a Lua às pressas.
E vai...
E vai...
Esvai...
Esvai...
Vive num tronco forte.
Meus versos, duros como viver,
Furam-no como a morte.
Em que floresta ou estrela esquecida
Estão os dedos de marte?
Quem eleva, releva:
Pesar e dor, antes que te mate.
Sabor de pele quente.
Saliva doce, mestiça.
Meu poema guarda o que sente
Meu rosto repleto de brisa.
Louca manhã de Lua.
Suco de prata, pêras e fresas.
Em teu corpo meu músculo flutua,
Despe-se, e foge com a Lua às pressas.
E vai...
E vai...
Esvai...
Esvai...
Espetáculo
Entalo em talos estalos estátuas
Que esmagam e esmurram
Escarros de água de ralo,
De casca de calo,
Do júbilo D'esparta
Espadas, estacas,
E lâmpadas, ábacos,
Aço de plástico
Planando acrobático
Girando pneumático
Brandindo escarláticos
Rubores apáticos
De odor acreático
Soprando sinérgicos
Sopranos sarcásticos
Sem seu brilho
Sem seu cílio
Sem seu siso
Sem ser seu
Sem ser
Sem tecido
Ou sem
Ter
Sido...
Que esmagam e esmurram
Escarros de água de ralo,
De casca de calo,
Do júbilo D'esparta
Espadas, estacas,
E lâmpadas, ábacos,
Aço de plástico
Planando acrobático
Girando pneumático
Brandindo escarláticos
Rubores apáticos
De odor acreático
Soprando sinérgicos
Sopranos sarcásticos
Sem seu brilho
Sem seu cílio
Sem seu siso
Sem ser seu
Sem ser
Sem tecido
Ou sem
Ter
Sido...
Sopro
Contos de colírios
De colibrís à brisa
Em brasa, jovem flor
Deflagra a luz cinza.
Lágrimas pendulam da Lua
De tua rósea maçã sofrida
E teu seio ruivo, esfera de leite,
Nos poros de aroma da vida.
Da prata escorre meu pranto.
A claridade alforria meu septo.
De um cérebro tênue como um boto,
Brotam meus filhos decrépitos.
A sola da boca, a toca da noite,
Mecantam delírios de poucos açoites
E floram na rua e faunam distantes
Em sopros silentes, supremos, amantes.
De colibrís à brisa
Em brasa, jovem flor
Deflagra a luz cinza.
Lágrimas pendulam da Lua
De tua rósea maçã sofrida
E teu seio ruivo, esfera de leite,
Nos poros de aroma da vida.
Da prata escorre meu pranto.
A claridade alforria meu septo.
De um cérebro tênue como um boto,
Brotam meus filhos decrépitos.
A sola da boca, a toca da noite,
Mecantam delírios de poucos açoites
E floram na rua e faunam distantes
Em sopros silentes, supremos, amantes.
Metamorfose
O ar do sono
Pesando na carne
Reune água D'amanhã
Em poros de Sol
Onde arde a noite
De meus olhos irmã.
Ouve-se o oceano
Nas conchas
Nas mãos
Estrelas que sugam
Leques de sinos
De orquídeas
Em galhos marinhos
Predando nos ninhos
De vespa e dragão.
Farejam, solitários,
Colméias de luz
Entardecida.
Metamorfoseiam,
Ao sabor de meteoros,
Lagos de orelha
Sem dúvida.
Pesando na carne
Reune água D'amanhã
Em poros de Sol
Onde arde a noite
De meus olhos irmã.
Ouve-se o oceano
Nas conchas
Nas mãos
Estrelas que sugam
Leques de sinos
De orquídeas
Em galhos marinhos
Predando nos ninhos
De vespa e dragão.
Farejam, solitários,
Colméias de luz
Entardecida.
Metamorfoseiam,
Ao sabor de meteoros,
Lagos de orelha
Sem dúvida.
Medo Meu
Tenho medo do nada
Tenho medo do não-nada
De que tenho medo afinal?
Medo do medo?
Medo de mim?
O mundo não,
De mim o mundo há de ter medo!
Sou eu, sim!
O medo do mundo
O meu próprio medo,
Fora e dentro de mim
Ao mesmo tempo
Ao mesmo medo.
Tenho medo do não-nada
De que tenho medo afinal?
Medo do medo?
Medo de mim?
O mundo não,
De mim o mundo há de ter medo!
Sou eu, sim!
O medo do mundo
O meu próprio medo,
Fora e dentro de mim
Ao mesmo tempo
Ao mesmo medo.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Rastro
Neste Finalmente o ar tornou-me esclarecida.
Rodeou-me a contentação esparssa.
Hoje fumei o último cigarro da minha vida,
Num último sopro seco, sem nenhuma graça.
Decidi não mais contemplar, da morte, as bodas,
Nem sentir aquele vento do desencanto e desesperança.
Tornar-te quem tú és, de uma vez por todas,
Para nunca esquecer a cor de minha criança.
Lágrimas nas veias... Imensidão de astros...
Por ele a morte golpeia, seguindo incansável os rastros.
Mas sei que reina em meus seios, o sumo da vida plena.
Prefiro, por quê não, uns filhos, cheios d'água e mastros.
Este abismo não mais me envenena.
Quero tremer diante da vida linda.
Morar, ao final, na raiz de uma lua.
Quero morrer e ser ainda.
20/12/08
Rodeou-me a contentação esparssa.
Hoje fumei o último cigarro da minha vida,
Num último sopro seco, sem nenhuma graça.
Decidi não mais contemplar, da morte, as bodas,
Nem sentir aquele vento do desencanto e desesperança.
Tornar-te quem tú és, de uma vez por todas,
Para nunca esquecer a cor de minha criança.
Lágrimas nas veias... Imensidão de astros...
Por ele a morte golpeia, seguindo incansável os rastros.
Mas sei que reina em meus seios, o sumo da vida plena.
Prefiro, por quê não, uns filhos, cheios d'água e mastros.
Este abismo não mais me envenena.
Quero tremer diante da vida linda.
Morar, ao final, na raiz de uma lua.
Quero morrer e ser ainda.
20/12/08
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Outonão
Foi no entardecer de um verão moribundo,
Aparentemente muito normal, que floreceu
E logo, de súbito, feneceu, o fruto embrionário
Do calor dos sóis universal.
Desse embrião chamado Outono,
A vida veio receosa e letal.
E o frio dos tetos baixos, no inverno,
Inda é uma chama que se extingui cálida
E lentamente. Vivendo completamente
Seu fogo interno.
Lembrei-me da pedra lisa na fogueira
Vaporizando um café camponês:
Estimulantemente amigo.
Nestes dias de cores esvaídas,
Três tentativas de saída à beira,
E o fruto da escuridão regurgitou-se,
Fraco e tenso, cego em minhas tripas macias.
Sob a cama olhei um retrato de gente já morta,
No qual, segundo os sóis da noite,
Estava uma carta secreta para mim.
A receita da seiva quer ser criada!
E consumida em forma de sumo doce!
Nenhuma nuvem, nem ave ou castor
Puderam consolar-me naquele instante.
Aparentemente muito normal, que floreceu
E logo, de súbito, feneceu, o fruto embrionário
Do calor dos sóis universal.
Desse embrião chamado Outono,
A vida veio receosa e letal.
E o frio dos tetos baixos, no inverno,
Inda é uma chama que se extingui cálida
E lentamente. Vivendo completamente
Seu fogo interno.
Lembrei-me da pedra lisa na fogueira
Vaporizando um café camponês:
Estimulantemente amigo.
Nestes dias de cores esvaídas,
Três tentativas de saída à beira,
E o fruto da escuridão regurgitou-se,
Fraco e tenso, cego em minhas tripas macias.
Sob a cama olhei um retrato de gente já morta,
No qual, segundo os sóis da noite,
Estava uma carta secreta para mim.
A receita da seiva quer ser criada!
E consumida em forma de sumo doce!
Nenhuma nuvem, nem ave ou castor
Puderam consolar-me naquele instante.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
O Sólido
Na abstração
Do sólido
Nestes termos:
Nome da Vida:
Corte
Nome da Morte:
Nada
Nome do Nada:
Tudo
Nome do Tudo:
Eu.
Eu tenho o nome que tenho
E por este nome
Muitos orgãos não respondem.
Meu pulmão esvaziará,
Meu coração há de parar,
Minha mente cairá
Numa dormência inevitável.
Meu ego desistirá,
Meu tempo se esgotará
E iniciará sua contagem oposta.
Meus olhos não mais exergarão
Nem mesmo, naturalmente, a escuridão.
O nome da vida?
Morte.
A Morte,
Fecho do Corte.
No tempo, sabe-se,
Não há Norte,
Sul ou Sorte.
Nome da Morte?
Vida.
Balançeada
Equilíbra:
Vida, Corte.
Nada, Morte.
Do sólido
Nestes termos:
Nome da Vida:
Corte
Nome da Morte:
Nada
Nome do Nada:
Tudo
Nome do Tudo:
Eu.
Eu tenho o nome que tenho
E por este nome
Muitos orgãos não respondem.
Meu pulmão esvaziará,
Meu coração há de parar,
Minha mente cairá
Numa dormência inevitável.
Meu ego desistirá,
Meu tempo se esgotará
E iniciará sua contagem oposta.
Meus olhos não mais exergarão
Nem mesmo, naturalmente, a escuridão.
O nome da vida?
Morte.
A Morte,
Fecho do Corte.
No tempo, sabe-se,
Não há Norte,
Sul ou Sorte.
Nome da Morte?
Vida.
Balançeada
Equilíbra:
Vida, Corte.
Nada, Morte.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
O Assassinato do Carvalho
Descendo meus passos
Avenida branca abaixo
Sob o olhar das nuvens
Do matutino dia,
De encontro vejo cacos
De um corpo vivo,
Que morto - acredito -
Certamente não estaria.
Foi como se todo o verde daquelas copas
Decidisse nascer neste dia
Com a mesma missão:
Brilhar suas cores para sua irmã,
Despedaçada no chão.
Bandidos...
Patifes covardes...
Meus pés levitaram
Sob um véu de pérola
Que seu espectro, pairando no ar, expelia.
Agora morta logo tornar-se-á outono...
E o inverno sua dor amenizaria.
Um inverno eterno e infinito.
O Sol,
Astro materno,
Está escrito,
Ao muito doce paladar lhe convertia.
O mesmo sol
Que clareava os sons moribundos dos galhos
E rugia seu raio perfurante
Para o meio de seu corpo...
Um tombo...
E eu não pude impedir... foi por pouco.
Seguirei em frente meu caminhar?
Creio que prefiro
Sentar-me imóvel onde estou,
Por completo de resguardo.
Ao meio-dia
O Sol e o Verde perderam a cor,
E o meu dia
Faleceu
Dolorosa
E delicada-
Mente
Mais
Cedo.
Avenida branca abaixo
Sob o olhar das nuvens
Do matutino dia,
De encontro vejo cacos
De um corpo vivo,
Que morto - acredito -
Certamente não estaria.
Foi como se todo o verde daquelas copas
Decidisse nascer neste dia
Com a mesma missão:
Brilhar suas cores para sua irmã,
Despedaçada no chão.
Bandidos...
Patifes covardes...
Meus pés levitaram
Sob um véu de pérola
Que seu espectro, pairando no ar, expelia.
Agora morta logo tornar-se-á outono...
E o inverno sua dor amenizaria.
Um inverno eterno e infinito.
O Sol,
Astro materno,
Está escrito,
Ao muito doce paladar lhe convertia.
O mesmo sol
Que clareava os sons moribundos dos galhos
E rugia seu raio perfurante
Para o meio de seu corpo...
Um tombo...
E eu não pude impedir... foi por pouco.
Seguirei em frente meu caminhar?
Creio que prefiro
Sentar-me imóvel onde estou,
Por completo de resguardo.
Ao meio-dia
O Sol e o Verde perderam a cor,
E o meu dia
Faleceu
Dolorosa
E delicada-
Mente
Mais
Cedo.
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